Em setembro de 2026 o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) divulgou dados sobre o risco de apagão de professores devido ao desinteresse dos jovens em cursar Licenciatura, resultando em alto engajamento e discussões sobre o assunto nas redes sociais. As matérias em geral destacam as causas de tal acontecimento, sendo as principais entre elas a desvalorização da profissão e as condições adversas de trabalho.
Nesse contexto, busca-se entender as motivações das exceções, aqueles que cursam Licenciatura, buscando seguir a carreira docente e que se verão como a próxima geração de professores do Brasil. Para isso, Karyne Louise Ferreira , que cursa Licenciatura em Letras, com habilitação em português e inglês no IFTM - Campus Patrocínio, foi entrevistada, a fim de compartilhar suas experiências e expectativas.
A.P.: Karyne, pode se apresentar?
K.: Meu nome é Karyne, eu tenho 32 e estou na minha segunda graduação. A minha primeira graduação foi em Arquitetura e Urbanismo e atualmente estou cursando Letras, no segundo período.
A.P.: Karyne, quais foram as suas motivações e por que você decidiu cursar Licenciatura em Letras?
K.: Quando eu me formei no Ensino Médio, não existia um incentivo para se cursar Licenciatura, os cursos não são vistos como cursos de primeira, não eram valorizados. Quem entrava em um curso de Licenciatura não recebia as mesmas glórias que alguém que entrava em um curso de Engenharia ou de Medicina, por exemplo. Então, aos 17 anos, eu queria algo que fosse valorizado e acabei começando o curso de arquitetura. Comecei também um projeto de monitoria, onde descobri que gostava muito mais da parte de ensinar arquitetura do que de fazer arquitetura. Quando me formei, busquei uma pós-graduação em Docência para o ensino universitário e depois, quando abriu o curso de Letras aqui no IFTM, eu já estava interessada na sala de aula e resolvi fazer.
A.P.: Diante dos diversos desafios que os professores enfrentam, o que a motivou a estudar para se tornar professora?
K.: Com a idade vem a maturidade, e com maturidade a gente percebe que aquela frase: “A profissão do professor é aquela que forma as outras profissões” é verdade e eu acho que ver outra pessoa aprender algo, você incentivar outra pessoa a seguir um caminho de aprendizagem é muito gratificante e era algo que eu via na monitoria.
A.P.: Entre todas as dificuldades, o que você acredita que seja mais desafiador na profissão de professor atualmente?
K.: Eu acho que hoje o adolescente não tem limites. Então, eu acho que o maior desafio é estabelecer limites e conquistar o respeito. Não acho que você deve conquistar o medo de um aluno, porque um aluno com medo não aprende, mas a partir do momento que ele enxerga em você um ponto de referência, ele fará de tudo para se sair bem naquela matéria.
A.P: Quando você contou que cursaria Licenciatura, como as pessoas ao seu redor reagiram?
K.: Meus pais me apoiaram, mas muitas pessoas me disseram que é uma carreira perdida, que é muito desgastante, que professor não é valorizado como profissão, nem valorizado com remuneração. Mas, pelo menos, quem eu precisava que me apoiasse, meus pais, abriram os braços e disseram: “Pode ir”. Além disso, não pretendo parar na graduação, eu quero ser professora, mas também quero fazer mestrado, doutorado e seguir nessa linha de pesquisa.
A.P: Você indicaria o curso de Licenciatura para outras pessoas?
K.: Indicaria! E já estou fazendo isso. Conheço algumas pessoas que querem cursar Licenciatura à distância e estou tentando convencê-las a cursarem presencialmente pois é outra experiência. Além disso, eu acho que o IFTM oferece um curso com uma estrutura muito boa, professores muito qualificados e estou no processo de divulgar e trazer novas pessoas para o curso de Letras. Inclusive, eu espero que o IFTM abra outros cursos de licenciatura em Matemática, História, Geografia, etc.