Mulheres de todo o mundo sofrem com o câncer de mama, apesar de ser mais comum em mulheres mais velhas, a doença também pode atingir pessoas mais jovens. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) aponta que o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma, que é o mais comum entre a população. Por isso, falar sobre prevenção e, principalmente, sobre o reconhecimento de alterações nas mamas também entre as jovens, é uma forma de combater a ideia de que “ainda sou muito nova para me preocupar”.
Para mostrar as diferentes formas como a doença pode surgir e que não é impossível de acontecer com mulheres jovens, trouxe para apresentar a vocês a história de três mulheres que enfrentaram o câncer de maneiras distintas.
A primeira mulher que pode ser usada como exemplo é a atriz norte-americana, Miranda McKeon, conhecida por atuar na série Anne with an E, interpretando Josie Pye. Em 2021, aos 19 anos, ela foi diagnosticada com câncer de mama em estágio 3. Ela percebeu um caroço na mama direita enquanto estava em uma festa e decidiu procurar o atendimento médico. Após alguns exames como ultrassom, mamografia e biópsia, o diagnóstico foi confirmado. Segundo a própria atriz, ela não tinha histórico familiar de câncer de mama e não possuía mutação nos genes BRCA, mas ainda sim teve a doença.

Imagem: Instagram da atriz, @miranda.mckeon.
Com a segunda mulher, já foi um pouco diferente. O caso é de uma brasileira chamada Helena Colino que, em 2024, aos 23 anos, ela foi diagnosticada com câncer de mama enquanto acompanhava o tratamento de sua mãe, que havia sido diagnosticada no ano anterior. Sua mãe descobriu uma mutação no gene BRCA2, que pode aumentar o risco de câncer de mama e ovário, e Helena também apresentou a mutação. Uma ressonância identificou um tumor de 5 cm na mama esquerda, confirmado como câncer em estágio 3. Helena não sentia dor nem nódulo, mas percebeu o mamilo invertido. Durante a quimioterapia, registrou sua experiência em vídeos, que deu origem ao seu TCC em forma de documentário chamado “Não Há Mal que Dure Cem Anos”.

Imagem: Instagram da atriz, @helenacolino.
Já a terceira mulher trouxe para mostrar o quanto a doença é mais comum do que parece, é a cantora britânica Holly Wellington, conhecida como Holysseus Fly. Em 2019, aos 25 anos, ela descobriu um câncer de mama em estágio 2, pouco antes de iniciar sua primeira turnê com a banda Ishmael Ensemble. Durante o tratamento, passou por quimioterapia, radioterapia e mastectomia bilateral (cirurgia que remove as duas mamas, podendo ser realizada para tratar o câncer ou reduzir o risco de desenvolvê-lo). Mesmo durante esse período, ela continuou ligada a música e chegou a se apresentar no Glastonbury Festival. Após o tratamento, em 2023 ela transformou sua experiência em música e lançou a canção Bloom, inspirada em sua história.

Imagem: Site C-Heads Magazine.
As três histórias deixam uma mensagem importante, que não existe um único jeito de perceber o câncer de mama. Uma mulher pode encontrar um caroço, outra pode notar uma alteração no mamilo e, em alguns casos, outros sinais podem ser os primeiros a chamar atenção. Por isso, conhecer o próprio corpo é uma das formas de perceber quando alguma coisa mudou.
Mas, afinal, como as mulheres podem começar a cuidar da saúde das mamas? Para entender melhor quais cuidados podem fazer parte da rotina e quais sinais devem chamar a sua atenção, fizemos algumas perguntas ao enfermeiro Wilian Lima Ferreira, que responde atualmente pelo Hospital do Câncer Dr. José Figueiredo, em Patrocínio. A partir de seus posicionamentos, reunimos algumas informações que podem ajudar as mulheres, principalmente as mais jovens, a conhecer melhor o próprio corpo, identificar possíveis alterações e saber quando procurar ajuda profissional. A partir de agora mostrarei para vocês esses dados.
Conhecer o próprio corpo é um dos primeiros passos para perceber quando alguma coisa está diferente. Isso pode acontecer no dia a dia, durante o banho ou em outros momentos da rotina. A ideia não é seguir uma técnica de autoexame, mas sim conhecer as próprias mamas e entender o que é normal para cada corpo. Dessa forma, qualquer mudança pode ser percebida de uma forma mais fácil.
Entre as alterações que devem chamar a atenção estão caroços endurecidos na mama ou na axila, mudanças repentinas no tamanho ou formato das mamas, alterações na pele, como vermelhidão, inchaço ou aparência semelhante a uma casca de laranja, além da retração da pele ou do mamilo. Feridas que não cicatrizam e saída de líquido, principalmente quando há sangue ou acontece apenas em uma das mamas, também devem ser avaliadas. Esses sinais não significam necessariamente que a mulher tenha câncer, mas é importante procurar um profissional de saúde para entender o motivo da alteração.
Outro ponto importante é o histórico familiar. Mulheres que possuem mãe, irmã ou filha que já tiveram câncer de mama, principalmente quando o diagnóstico aconteceu antes dos 50 anos, podem precisar de um acompanhamento diferente. Nesses casos, o histórico da família pode ser avaliado por um profissional para entender os riscos e, quando necessário, indicar exames ou encaminhamento para serviços especializados.
Mas, caso uma mulher perceba alguma alteração, onde ela deve procurar ajuda? Em Patrocínio, a UBS (Unidade Básica de Saúde) pode ser o primeiro lugar para buscar orientação e avaliação. A partir dela, a mulher pode receber os encaminhamentos necessários para outros serviços, como o CEAE, onde pode ter acompanhamento especializado com mastologista (médico especialista em cuidar da saúde das mamas de mulheres e de homens).
Além disso, Patrocínio também conta com o Hospital do Câncer Dr. José Figueiredo, que oferece atendimento voltado à prevenção, investigação e tratamento do câncer de mama. Entre os serviços estão exames como mamografia e ultrassonografia, além de outros procedimentos que podem ser necessários durante a investigação e o tratamento da doença.
É importante lembrar que nem toda mulher precisa fazer os mesmos exames ou começar esse acompanhamento na mesma idade. Para mulheres mais jovens, principalmente quando existe algum sinal ou fator de risco, o profissional de saúde pode avaliar qual exame é mais adequado para cada situação. Por isso, procurar orientação antes de decidir fazer um exame por conta própria também é uma forma de cuidar da saúde.
Durante o Outubro Rosa, essas informações ganham ainda mais espaço. No município, as UBSs e os serviços especializados realizam ações voltadas para a saúde da mulher, com orientações, atendimentos e atividades de conscientização. Apesar de a campanha acontecer em outubro, os cuidados com a saúde das mamas não precisam ficar limitados a apenas um mês do ano.
Mesmo com a importância da prevenção, ainda existem dúvidas que podem fazer com que algumas mulheres deixem o cuidado para depois. Entre elas estão perguntas como “sou muito nova para ter câncer de mama?”, “o autoexame substitui a mamografia?” ou “anticoncepcional causa câncer?”. Além disso, o medo do resultado, a vergonha de procurar atendimento e a falta de tempo por causa do trabalho ou dos estudos também podem dificultar a busca por ajuda.
Por isso, cuidar da saúde das mamas desde cedo não significa viver com medo de ter câncer. Significa conhecer o próprio corpo, prestar atenção às mudanças e saber quando procurar um profissional. Também faz parte desse cuidado manter hábitos mais saudáveis, como praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Trouxe as histórias de Miranda, Helena e Holly como um alerta para mostrar que o câncer de mama pode aparecer de diferentes formas e em idades que muitas pessoas não esperariam. Aqui em Patrocínio, o cuidado pode começar de uma maneira simples, como conhecendo seu próprio corpo, buscando informações e procurando os serviços de saúde quando alguma mudança for percebida. Para terminar, trago uma frase do enfermeiro Wilian Ferreira “Cuidar desde cedo não é viver com medo, é um gesto de amor próprio.”.